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Saúde e Segurança no Trabalho

As estatísticas no mundo sobre acidentes do trabalho são muito difusas. Além disso, os números são difíceis de serem apurados, pois não há uma definição única do que vem a ser acidente de trabalho, período e freqüência de levantamento de dados e exatidão no relato dos eventos.

Imaginem a seguinte cena: homens, mulheres e crianças aos milhares ensangüentados, mutilados, gritando, sofrendo, queimados, intoxicados, amputados, doentes... algumas pessoas podem ter imaginado que essa descrição seja a de uma cena de guerra ou o dia-a-dia de um pronto-socorro de periferia, ou a conseqüência da passagem de um furacão. Mas elas estão enganadas. Este cenário é a descrição de um local de trabalho! Os mais otimistas diriam que isso é passado. Não! Isso é o cenário do século 21. Segundo os dados da Organização Mundial do Trabalho (OIT – www.oitbrasil.gov.br), morrem 2,2 milhões de trabalhadores anualmente vitimas de acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais. Nem mesmo as crianças são poupadas, 12 mil crianças morrem anualmente trabalhando.


Apesar das estatísticas no mundo sobre acidentes do trabalho serem muito difusas, os números apresentados ainda são considerados pouco representativos. Há várias razões para isto, entre elas podemos destacar que não há uma definição do que vem a ser acidente de trabalho, período e freqüência para o levantamento dos dados e exatidão do relato dos acidentes.


Os dados do relatório apresentam fatos que comprovam as falhas nos sistemas de notificação de acidentes e doenças de muitos paises. Podemos citar o caso da Índia, com mais de 1 bilhão de habitantes, o pais mantém uma estatística de apenas 222 acidentes fatais por ano. Faça uma comparação com os dados da República Tcheca, que possui uma população em idade ativa equivalente a 1% da Índia, e constatações de 231 mortes por acidentes de trabalho por ano. A OIT estima que o número real de acidentes fatais entre os trabalhadores indianos seja de 40 mil por ano.


Outro dado alarmante nesse relatório é que na América Latina, o número de acidentes fatais subiu 33%. Aparecem também as “novas doenças do trabalho”, as quais incapacitam não somente o pessoal de manufatura, operários, mas também diretores, gerentes, supervisores, em resumo, o pessoal do escritório. Doenças como distúrbios psicossociais, violência, alcoolismo, dependência química, estresse, tabagismo e AIDS.


Para muitas organizações e seus dirigentes, ter um serviço especializado de segurança e medicina do trabalho parece ser suficiente para garantir a segurança e prevenir os acidentes e doenças ocupacionais. Porém, oferecer esse serviço sem que o mesmo esteja suportado por um Sistema de Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional, é o mesmo que ter um departamento de qualidade para inspecionar peças e achar que isso estará garantido continuamente a qualidade do produto. A prevenção dos acidentes e mortes no ambiente de trabalho requer tratar a saúde e segurança ocupacional dos trabalhadores como um todo, inserida em um sistema criado para esse fim.


A OHSAS 18001 (Occupacional Healthy and Safety Assessment Series) é uma das normas que estabelece requisitos para um sistema de gestão da saúde e segurança ocupacional. Infelizmente, são raras as organizações no Brasil que possuem esse sistema de gestão certificado.


Esperamos que os empresários no Brasil, que tem uma atuação responsável perante sua força de trabalho, implementem em suas organizações os requisitos dessa norma, apesar de seu caráter voluntário, utilizando-a como ferramenta para mudar a realidade dos trabalhadores brasileiros.


(Banas Qualidade, n. 186)

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