Biocombustíveis
Com a produção de diversas matérias primas alternativas, o Brasil enfrenta a emergência dos Biocombustíveis, ingressando em um novo ciclo de produção e uso de combustíveis renováveis, oportunizando ganhos para os mais diversos setores da economia como a agricultura, transportes, indústrias e para o consumidor, em seu papel como cidadão consciente da sua responsabilidade ambiental.
A demanda mundial das sociedades modernas por combustíveis e energia vem crescendo gradativamente e preocupa, quando discute-se a capacidade instalada para a extração e a continuidade da oferta de petróleo a longo prazo. Os altos preços dos combustíveis fósseis no mercado internacional refletem a pressão que a questão energética representa para os governos e para toda a sociedade. Nesse contexto, em que além da viabilidade econômica dos combustíveis figura ainda seu componente ambiental, a solução é procurar alternativas aos combustíveis fósseis, utilizando fontes renováveis de energia limpa.
Iniciativas como o aumento no consumo dos biocombustíveis são pertinentes na busca por soluções, tanto para a crise energética, como para a sustentabilidade ambiental do planeta. Estudos revelam que há redução significativa de emissões dos gases do efeito estufa, principalmente CO2, quando da utilização de etanol combustível. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, no Brasil, no período de 1970 a 2005, o uso do etanol combustível significou a não emissão de 644 milhões de toneladas de CO2. Outro grande atrativo é a utilização do biodiesel que, segundo a Esalq/USP, apesar de também produzir CO2 em sua queima, apresenta emissões até 80% menores que as do diesel de petróleo. Assim, o uso dos biocombustíveis, além de diminuir a emissão de gases poluentes, traz outros benefícios ambientais como a melhora da qualidade do ar nos grandes centros urbanos.
O biocombustível é uma fonte de energia renovável, produzido a partir de diversos produtos agropecuários como a cana-de-açúcar, plantas oleaginosas, biomassa florestal, gordura animal e outras fontes de matéria orgânica. São exemplos de biocombustíveis o etanol, o metanol, o metano, o biodiesel e o carvão vegetal.
A utilização do etanol como combustível no Brasil é mundialmente reconhecida. O Brasil, além de maior produtor e consumidor de etanol é também o maior exportador no cenário global. Em 2005, os veículos bicombustíveis (flex fuel) ultrapassaram os movidos a gasolina, representando aproximadamente 53% das vendas de veículos novos no mercado brasileiro. O etanol possui inúmeras vantagens, as quais fazem dele um combustível atraente. Aumenta a oferta de empregos e renda para os agricultores, evita a emissão de milhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera, um dos gases de efeito estufa responsáveis pelo aquecimento global, além de atender a uma demanda do setor de transportes por combustíveis não derivados de petróleo. Trinta anos depois do início do Proálcool, segundo a Petrobrás, o Brasil vive agora uma nova expansão dos canaviais com o objetivo de oferecer, em grande escala, o combustível alternativo. Essa expansão não é um movimento comandado pelo governo, como a ocorrida no final da década de 70, quando o Brasil encontrou no álcool a solução para enfrentar o aumento dos preços do petróleo. A corrida para ampliar unidades e construir novas usinas é movida por decisões da iniciativa privada, convicta de que o álcool terá, a partir de agora, um papel cada vez mais importante como combustível, no Brasil e no mundo.
Assim como na produção de etanol de cana-de-açúcar, o Brasil tem um grande potencial na participação no mercado de biodiesel, pois dispõe de extensas áreas agricultáveis, solo e clima favoráveis ao plantio de oleaginosas. O biodiesel é um combustível biodegradável derivado de fontes renováveis, como óleos vegetais e gorduras animais, substituindo total ou parcialmente o diesel de origem fóssil em motores de caminhões, tratores, camionetas, automóveis e podendo ser utilizado para geração de energia e calor. Segundo a Esalq/USP, o biodiesel permite que se estabeleça um ciclo fechado de carbono no qual o CO2 é absorvido quando a planta cresce e é liberado quando o biodiesel é queimado na combustão do motor. Esse ciclo fechado faz do biodiesel um combustível de carbono neutro. As plantas capturam todo o CO2 emitido pela queima do biodiesel e separam o CO2 em Carbono e Oxigênio, neutralizando suas emissões. Existem diferentes espécies de oleaginosas no Brasil com as quais se pode produzir o biodiesel, como por exemplo a mamona, dendê, girassol, babaçu, soja, pinhão manso, amendoim, nabo forrageiro, milho, girassol, canola e algodão. De acordo com o Programa Nacional de Biodiesel do Governo Federal (PNPB), em 2005, com vistas a incentivar o uso do biodiesel, foi estabelecido que, a partir de 2008, o óleo diesel vendido no país deverá conter 2% de biodiesel. Além disso, fixou-se em 5% o percentual mínimo obrigatório de adição de biodiesel ao óleo diesel comercializado no Brasil a partir de 2013.A escolha pelo uso dos biocombustíveis está também nas mãos dos consumidores. Lembre-se de que ao optar pelo renovável, você agrega qualidade ambiental ao produto que está adquirindo e dá a sua contribuição a diminuição do aquecimento global, redução da poluição do ar, incentiva a inclusão social e o desenvolvimento regional, poupa recursos naturais, enfim, contribui com o futuro do planeta.
(Eccoambiental com informações do Programa Nacional de Biodiesel, Ministério das Relações Exteriores, Folha de São Paulo, Crea-PR, Esalq/USP, UFSC, biodieselbr.com e Petrobrás).